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A casa de samba da ex-Condessa estava animadíssima aquela noite. Marcel estava sentado na sua mesa cativa ao lado do banheiro feminino, e depois de mais de uma dúzia de cervejas Urquell, o perigoso traficante passava a mão na bunda de todas as mulheres que iam ao banheiro, gargalhando de rir e arrotando sem parar. Kika e Mona se entreolharam e suspiraram. Nos últimos meses Marcel começara a beber demais. Quase todos os dias o homem tomava grandes porres de “Gallo 9669” e dava vexames. Bebia quantidades descabidas, se tornava violento e ameaçava todos dentro da casa. Além disso, Marcel tinha o corpo recheado de pelotas furunculosas que não cicatrizavam, efeito colateral do vinho afrodisíaco falsificado por ele mesmo. Tony e August não sabiam o que fazer. -Vamos chamar um médico – resolveu Tony – Ei, já viu como está o corpo dele, August? Nunca vi coisa igual! -Está louco? – falou August, bravo – Médico? Como vamos explicar esse vinho, essas pelotas, essa alergia? Impossível! Marcel precisa de cuidados psiquiátricos, eu acho. Isso que ele está fazendo não é normal. Ele trabalha feito um louco, bebe toda noite e não fala coisa-com-coisa. -Cuidados psiquiátricos? Ora, que nada! – exclamou Tony, debochando – Não vê? O homem precisa é de uma mulher! August, há quanto tempo que Marcel não... Augusto coçou a cabeça. Sim, era verdade... Há muito tempo que ele não via o amigo com uma mulher. Era falta de mulher que estava deixando Marcel Yolkman enlouquecido. Ninguém percebera a carência afetiva do homem, pensou August, sorrindo. -Tony, você tem toda a razão. Ouça. Temos que arrumar uma namorada para Marcel. -Nós? Namorada? Hahahah! Acha que Marcel vai topar uma namorada? Ele nem tem paciência para ouvir a gente acabar as frases, acha que ele vai ter paciência para ouvir uma mulher? August olhou o velho amigo de longe. Marcel estava sozinho na sala de estar, descabelado, com uma roupa que não trocava há dois dias e um cálice nas mãos. Ao lado dele um garrafão de “Gallo 9669” de 5 litros. August suspirou e voltou à copa, onde Tony estava fazendo um lanchinho. -Tony, você tem razão... Ei, você viu se Mona, Kika e Hipólita saíram? Não vi aquelas três o dia todo. Acho que vou pedir a opinião delas. -Não sei – Tony apontou o telefone – Mas ligue, ué. August pegou o aparelho e discou para o celular de Kika. -Olá, Kika, minha princesa dos mares...! -Oi August – atendeu Kika – Tudo bem com você? -Onde você está, belezura? – perguntou o grande homem – Estou desesperado sem você! -No “Rainha”, August. E como você é exagerado! Ucha não gosta de ver você me passando cantadas – a moça pigarreou – Ei, estamos dormindo aqui há dois dias. Não percebeu? -No “Rainha”? Jura? – O homem levou um susto – E... estamos? Estamos quem, Kika? -Eu, Mona, Hipólita e Ucha. Impossível ficar ai com Marcel. Desistimos. Precisamos dormir, August – explicou Kika. -Mas... o que aconteceu? -Olhe, August. Marcel está bebendo demais aquele vinho. Há algum tempo que ele invade nossos quartos à noite... – a capitã se pôs a explicar devagar – No começo achamos engraçado, desconversamos numa boa. Mas depois ele começou a se tornar inconveniente. August tentou argumentar. -Bem... Ele precisa de uma mulher, Kika. -Eu sei, August. E sei até que eu, Hipólita ou Mona poderíamos “ajudá-lo” sem problema algum, se é que você me entende. Mas... mas... August, com aquelas pelotas asquerosas não dá! -Pelotas? – estranhou o assistente – Que pelotas? -August! Você se esqueceu que esse vinho fabricado pelo Marcel faz surgir um monte de pelotas furunculosas nojentas pelo corpo? -Ah, sim! – exclamou August sorrindo – É mesmo. Eu já tive algumas, mas... Kika interrompeu o homem subitamente. -Shiu, eu sei! – falou a pirata e capitã – Carmutcha já nos contou tudo. August estava confuso, pois no caso dele as pelota foram o de menos. Ele nem se lembrava mais delas. -Mas Carmutcha me disse que as pelotas eram inofensivas, e que não atrapalhavam em nada a ... a .... minha “performance”. Bem, você sabe... A capitã deu uma gargalhada alta. -August! Mas as pelotas furunculosas do Coquito são bem diferentes das suas. Isso você não sabe, meu caro. Nem imagina! -Diferentes? – perguntou o homem, confuso. -Sim – Kika pôs-se a explicar com calma. Acho que com cada homem a coisa acontece de um jeito. E Marcel, bem, Marcel não tem as pelotas só no corpo. -Hã? – assustou-se August – E onde ele tem? -Hahaha, adivinhe, meu caro... Ou pergunte a Ucha, a Mona e a Hipa... – a capitã passou a falar mais baixo, cochichado – Bem, digamos que o “mastro” dele está cheio de “cracas”. Hahaha! -Uh! Não! Jura, Kika?– falou August, aflito – Ai, ai, ai! Pobre Marcel! -Hahaha! – riu Francis, que emendou – Escute, August. Nenhuma mulher quer ver “aquilo”. Está muito, mas muito feio. Além disso, Coquito se tornou um homem completamente inconveniente. Desculpe, mas não posso fazer nada – desconversou a capitã – Nadinha. -Kika! Vamos, me ajude! -Esqueça. Converse com Hipa, com Mona ou com a sua Ucha – elas são mais “molengas”. Quem sabe? -Tsc – resmungou August – Bem, elas estão ai? Podem falar comigo? – perguntou. -Não. Hipa e Ucha foram ao cinema. E Mona caiu diversas vezes daqueles tamancos enormes, ficou com a maior dor no tornozelo, tomou um analgésico e dormiu. Eu avisei a ela que em barcos ela não deve colocar saltos, mas ela só pensa em farra desde que chegou ao Brasil e não me ouve. Além de andar naqueles tamancos, ela ainda coloca pagode e fica sambando sem parar... – Kika desconversou, pois não gostava muito de tagarelar ao telefone – Bem. Avisarei que você quer falar com uma delas, ok? August desligou o telefone e suspirou fundo. Se as suas amigas não pudessem ajudar, então ele teria que tomar uma providência mais drástica. Pensou em falar com as suas meninas, as dançarinas da “Condessa Assanhada”. Mas Marcel não gostava das dançarinas, nem tampouco de moças de programa. Era um homem exigente demais com mulheres. Ucha ligou para ele quando chegou do cinema. August pensou como Ucha era bacana com ele. A moça entendeu o problema de Marcel. Sim, era preciso tomar uma providência, ela concordou. -August, se você quiser eu ajudo você – falou a moça, que sempre se derretia pelo homem – Tenho até uma idéia. -Fale, Ucha – implorou August. -Vamos levá-lo ao Condessa, August. Lá ele pode tomar cerveja, o que só fará bem a ele, e pode até se interessar por alguma moça. Tudo bem que ele beba. Mas que beba outra bebida, e não vinho. Assim Marcel, August, Tony e as moças, Mona, Kika, Hipa e Ucha, passaram a ir à casa de samba todas as noites. Mona, que estava mais assanhada qdo que nunca, não perdia uma dessas noitadas: sambava sem parar sobre seus tamancos altíssimos. August desconfiava que ela tinha um caso com um dos pagodeiros da casa, Drkn, pois volta e meia ela desaparecia com ele nos quartinhos. Ucha, Kika e Hipa iam dia sim dia não: Ucha para controlar o seu August, Kika porque gostava de cantar no palco e lá podia dar umas “canjinhas” e Hipa para ver se encontrava novamente com o “tesudo” do Editore Tertuliano. Hipólita não contara para ninguém sobre o episódio “under the table”, mas desde aquele dia ela não tirava o peludo homem da cabeça. “Que homem, que tesão de homem”, pensava a moça com seus botões e gamadona. Como Marcel tinha participação nos negócios, se sentia em casa ali. E a presença do homem na casa, com seu porte de milionário e com suas excentricidades, trazia novos ares para o estabelecimento. A ex-Condessa, ao ver o homem entrar, ligava para todos os colunistas sociais de jornais e revistas. Marcel estava em evidencia na mídia, e onde estivesse era seguido por uma caravana de repórteres da revista “Faces” e colunistas de diversos jornais cariocas. Bob estava animadíssimo com a presença contínua do grande empresário no restaurante e com a agitação do local. Passava as noites sorrindo para todos, com suas camisas floridas e com seu copo de chopp na mão. Pena que ele e Isaura tiveram que se vender ao homem e que não podiam ganhar muito dinheiro, pois se a casa de samba fosse só deles o faturamento do local seria suficiente para dar aos dois uma vida confortável. -Marcel, meu querido! – dizia Bob com sua camisa florida e sua proeminente barriga a cada vez que via o empresário – Seja bem vindo mais uma vez! Entre! -Olá, Bob. E porque eu não seria bem vindo? Afinal, essa espelunca é minha, não é? Bob ficava calado diante dos acessos de falta de educação de Marcel, que se dirigia à mesa próxima ao banheiro feminino e pedia as suas cervejas Urquell. Naquele dia, um sábado, Marcel entrou mal humorado e passou reto por Bob e Isaura. August se aproximou dele e o abraçou. -Ora, ora, Bob... Tenha paciência com ele, meu Bob – falou o grande homem – Marcel está completamente estressado, e precisa de uma mulher urgente. Entenda esse mau humor. É falta de sexo. -Falta de sexo? – surpreendeu-se Bob – Marcel está precisando de uma... mulher? Essa é boa! Mas... você tem tantas aqui, August! Leve-o aos seus quartinhos. Ainda é cedo, veja, muitas luzes ainda estão apagadas! – exclamou Bob. -Está maluco, Bob? – espantou-se August – Acha que Marcel... vai entrar num desses quartinhos? Nunca, o homem é orgulhoso demais. E depois – August passou a falar baxinho – E depois ele não se contenta com qualquer mulher. Tem que ser uma mulher especial. -Especial? E o que torna uma mulher especial para ele? August sorriu e desconversou. Não era bom contar os segredos do amigo por ai. -Esqueça, Bob. Vá dançar com sua Condessa Isaura – falou o grande homem, apontando Isaura – Ela está belíssima hoje, olhe! Mas August sabia quem Marcel queria: Hipólita. Desde que ele mandou colocar a enorme bunda na espiã, ele não tirava os olhos dela. Marcel não falava, pois sabia que era errado ele, o chefe, se envolver com uma das funcionárias, mas a cada vez que ele via Hipólita sua voz mudava, seu corpo se excitava e sua mente embaçava. Além disso, ele não gostava de vê-la com mais ninguém. Sentia que ela era sua propriedade. Naquela noite Hipólita estava maravilhosa. Vestia uma mini-mini-mini saia de couro branco, uma blusa de paetês e sandálias prateadas, e tinha os cabelos loiros arrumados num penteado anos 60, com um coque enorme sobre a cabeça. Estava maravilhosa e Marcel não tirou os olhos dela desde que ela chegou. Sabia que seu corpo e seu pênis estavam melhorando, quase já não tinha pelotas, e recuperara assim sua auto estima. Depois da décima oitava cerveja, Marcel pediu a Tony que chamasse a moça. -Oi, Marcel – falou Hipólita, sorrindo – Tony disse que você quer falar comigo. -Sente-se aqui – falou o homem, dando tapas nas próprias pernas – Aqui, Hipa. -No seu colo? Hahaha! Ora, Marcel, você está maluco? – falou a moça, desconversando – Imagine. E logo agora que vai começar o show do Dog Man? -Dog Man? – perguntou o homem – Que é isso? Hipólita sorriu e explicou. -A ex- condessa Isaura resolveu, toda noite, fazer um show de stripers masculinos para alegrar ao público feminino. São só quinze minutos de show, toda noite, exatamente a meia noite. E hoje é ele. O Dog. O Dog, Marcel! Marcel começou a rir. Que idéia mais maluca essa da Isaura! -E quem é esse “Dog”, Hipa? -“Dog” é Gui Whitaker, o ex-empresário do JR Rodrigues e ex-ator pornô, lembra-se dele? Ele dança como ninguém, tem um corpo e “acessórios” fenomenais... Ele não trabalha exclusivamente com isso, mas como ficou amigo da ex-condessa, dá essa “canja” aos sábados. Inventou esse personagem, um cachorrinho pittbull, usa uma sunguinha peluda, ai, é demais... – ela parou de falar, deu um beijo rápido nele e saiu dali – e eu não perco um show do meu “Dog” por nada! Nada! August, Marcel e Tony ficaram boquiabertos. Dog? Mas era verdade. A casa de samba entrou em polvorosa com a entrada do “Dog Man” no meio de uma nuvem de fumaça, ao som do pagodeiro Drkn. As mulheres gritavam e pulavam, histéricas. Marcel pediu mais uma cerveja. Ainda bem que eram somente quinze minutos daquele show patético. “Depois eu pego a Hipa de jeito. Ah, pego sim...”, pensou, sorrindo. O show começou e surgiu Gui, rebolando e sorrindo com seu corpo bronzeado untado de óleo. No meio da nuvem de gelo seco, Marcel tentava achar Hipa, mas era quase impossível, devido a quantidade de gente que dançava na casa e por causa da quantidade de flashes. Marcel viu de relance algo que o incomodou. Deu um pulo da cadeira quando desconfiou e deu um berro quando teve certeza que era ela. -Hipa! – gritou o empresário – Hipa! -Que foi, Marcel? – assustou-se August. -Filho da... quem é esse canalha? – berrou Marcel, furioso, apontando para Hipólita, que se agarrava com um homem alto, moreno e lindíssimo, com ares de italiano – Quem é esse canalha? Que é isso? August tentou detê-lo, mas Marcel, apesar de ser um homem magro, era ágil e forte. Entrou na pista de dança, furioso, e fora de si, empurrou o Editore Tertuliano para longe de Hipa e puxou a moça, nervoso e berrando. -Mas que é isso? Hipólita, sua vagabunda! Saia daqui agora! Já! Diante do vexame, Hipólita tentou reagir, mas August a segurou. Ele sabia que Marcel, descontrolado como estava, seria capaz de bater na moça. Mas Tertuliano, que sabia muito bem quem era Marcel e gostava de uma disputa, avançou sobre o empresário e passou a esmurrá-lo com violência. O Editore era muito mais forte que Marcel, e, se não fosse a intervenção do enorme August, provavelmente ele o teria matado. Depois do evento, Bob retirou o Editore dali, o show de Gui foi finalizado às pressas e noite praticamente acabou. A briga dos dois homens foi totalmente fotografada e foi capa de todas as revistas e jornais da semana. E assim Marcel ficou conhecendo aquele que seria o seu maior inimigo: o Editore Tertuliano, irmão de Alex Fontes. Navegar é preciso |
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