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Em verdade, o Rajada era uma nave menor. Não, esta não era uma embarcação de Xela. Era um autêntico Standfast. Moldado para o mar do Norte, seu meio eram as impressionantes vagas dos mares extremos. Seu porte menor, apenas quarenta pés, e a armação sloop permitiam, porém, uma manobrabilidade e uma destreza magníficas na passagem de Magelan. :. Ao avistar o Golden Hind, o imediato Yolkman percebeu a estranha movimentação em seu deck. O céu havia enegrecido, tornando o meio-dia em noite, a borrasca soprava constante, e o Rajada cortava rigidamente o swell encapelado, caturrando e adernado ao seu limite. .:: . .: Yolkman era um homem enrigecido pela infância nas terras altas da Escócia, na colheita da cevada e nas lides da terra. A escasses de esterco caprino para a lavoura pos a perder todo o esforço que empenhara na sua última safra da magnifica cerveja Yolk's 69, e não lhe restou outra alternativa senão embarcar em busca de aventuras. A ele se juntaram outros desvalidos pela terra e pelos coletores de impostos. O gigante Mntgn, estivador selvagem mercenário. Barba, o horrivel, dispensava apresentações. Dok, de início um pouco deslocado entre aqueles selvagens, logo descobriu um lado sombrio de seu caráter e fez do mar sua vida. Acompanhava aquela estranha tripulação uma aventureira das costas da Sardenha: La Be, alcunhada La Bela. Seus cabelos de fogo e olhos profundos cegavam aqueles que ousassem fitá-la. :: . Yolkman não disse palavra. Sabia que a movimentação a bordo chamaria a atenção da tripulação do Golden Hind. Tampouco fez menção de alterar o curso. No mar encapelado, não poderia cambar sem as mãos dos companheiros e, mesmo que pudesse, o movimento despertaria a imediata reação das meninas do Golden. O Golden avançava em um través penoso. A armação cutter era a melhor para embarcações daquele porte, mas seu poder de orça não se comparava à do pequeno mas ágil Rajada. La Be surgiu repentinamente pela espia, uma garrafa de 6996 na mão, uma cumbuca de frutos do mar na outra e, mal se equilibrando ao subir ao cockpit, logo percebeu o que acontecia. Yolkman não piscava. Suas mãos ágeis corrigiam a roda de leme à medida em que o Rajada subia e descia as vagas. O ensopado de La Be logo estava afogado em água e sal, mas Yolkman entornou o conteúdo, engolindo as lulas e polvos sem ao menos mastigá-los. O cheiro do ensopado invadira a cabine e logo o bando inteiro espremia-se no apertado cockpit, silenciosos. Mntgn amolava uma velha faca de molas [swithblade ]. Não havia momento mais calmo e meditativo para Mntgn do que aqueles que antecediam uma boa luta. Ele arriscou um poema... :: No convés do Golden Hill, Xela jazia exaurido. Mme Katza, um sorriso enigmático no rosto, manejava um par de luvas de pelica encardidas. As meninas a observavam, atônitas. Nunca haviam visto nada parecido. Kika recém percebera a aproximação do Rajada e ordenara furiosa que as meninas voltassem a suas posições, mas elas também, exauridas com o festim daquela manhã, demoravam-se nas manobras de evasão. Kika decidiu então partir para o confronto. . . Foi Barba quem percebeu a manobra. O Golden Hill virou e, de vento em alheta, agora avançava veloz rumo ao Rajada. Todo o poder de manobra do Rajada seria inútil numa aproximaxão frontal. Uma escapada seria também desastrosa, visto que o enorme velame do Golden lhe dava uma incrível velocidade a sota. A estratégia da abordagem surpresa se perdia, e a perspectiva de um embate frontal se materializava. Foi Barba quem sugeriu a estratégia. O Rajada cambaria a menos de um casco de distância do Golden e atravessaria seu curso. Se a manobra fosse rápida o bastante, nem Kika seria capaz de reagir a tempo, e de perseguidora passaria a perseguida. :: ; A agitação a bordo do Golden deu a Xela uma chance. De uma só golpe, empurrou Mme Katza de encontro às amuras e arrancou-lhe das mãos o fétido par de luvas. Então percebeu a aproximação do Rajada. Os borrifos varriam o convés e Xela, enrrolando-se na única peça de roupa que lhe restara, apoiou-se no estai de boreste, no exato momento em que o rajada Cambava. Os dois barcos passaram a poucas polegadas um do outro. A enorme vaga levantada pela proa do Golden varreu o deck do Rajada. Xela não pensou; agiu por instinto, apenas. Agarrando Kika, atirou-se pelas amuras. . O baque surdo que a tripulação do Rajada ouviu foi engolido pelo enorme ronco que vinha do casco. Yolkman colocara a nave a favor do vento, e ele surfava uma enorme vaga. Por um momento, não se podia ver o que ou quem estava no deck, mas Dok atirou-se à proa e enlaçou Kika com uma escota, passando e atando a outra extremidade ao mastro. A terrível bucaneira tinha os olhos injetados de sangue. Outra vaga varreu o deck do Rajada, atirando todos ao cockpit. Mntgn estendeu-se a tempo de salvar uma preciosa garrafa. O silêncio foi cortado pela gostosa gargalhada de Kika, ao perceber o rótulo do famoso vinho. Beberam e festejaram até o cair da noite. . . . Já era tarde da noite quando a silhueta de uma pequena ilha se delineou no horizonte enluarado... A agente Franka é hipnotizada Navegar é preciso |
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