|
|
|||||||||||||||
| Home do Gallacci |
|||||||||||||||
|
-=> novoMiolo=" -=> aTab=stdClass Object ( [tagIni] => [trs] => Array ( [0] => [1] => ) ) -=> umTr="
| -=> contTd=1 -=> oTr=stdClass Object ( [tag] => [tagIni] => [tagFim] => [tds] => Array ( [0] => ) ) -=> umTd=" " | -=> oTd=stdClass Object ( [tag] => [subtags] => Array ( ) [colspan] => 1 [rowspan] => 1 [tagIni] => [tagFim] => [conteudo] => ) O delegado Barbôa tem uma alergia |
O Conde reuniu todos os seus amigos na sala do chiqueirinho. Estava nervoso e não conseguia se manter sentado. Andava de cá para lá, fumando seu fétido cachimbo e cada vez mais torto. Na sala estavam Charles e Alex Fontes. -Ora, ora... Não sei onde errei, rapazes. Mas fomos traídos! – olhou para os homens – Alguém descobriu o nosso segredo e, por causa disso, levaram minha Isaurinha! Nesse exato momento, a porta se abriu e entrou Rodrigues. O ator estava de banho tomado e cabelos molhados. -Mas... onde você estava, homem? – vociferou o Conde, irritado – Estávamos atrás de você! Temos assuntos a tratar! -Eu... – o ator tentou explicar, mas o Conde estava nervoso e falava sem parar – Eu estava ajudando a detetive Matahari... -Ah, já sei! – o Conde tinha um tom de voz irônico – o nosso caro ator celebridade estava mostrando seus dotes cênicos para Polícia Italiana? E... que tal rodar um filme policial aqui, na nossa Itália, no meu Castelo? E que tal o nosso querido detetive Rangel descobrir onde está Isaura? – O Conde estava bravo com o homem – Ra, ora... não é hora de sexo e perversão, senhor Rodrigues! Temos que achar a minha Isaura e proteger nosso segredo, isso sim! Ora, ora! -Mas Conde, você nem dava bola para a Condessa quando ela estava aqui...! - disse Rodrigues, sempre fazendo comentários inconvenientes – não entendo! O Conde ficou muito bravo. -Ora! Mas ela é minha esposa! Tenho que tomar alguma providência! O dr. Charles estava pensativo. Olhou para o Conde e interrompeu o homem. -Podemos começar a reunião? – perguntou o médico. -Mas onde está Moreirão? Está com alguma mulher, também? – O Conde esfregou os olhos, aflito – Céus, mas o que acontece com todo mundo? Rodrigues riu baixinho. Todas as pessoas de dentro do Castelo, menos o Conde, já sabiam da lista do Moreirão e do sumiço do homem no quartinho da masmorra. A fila (que ainda era enorme) ainda subia as escadas. A maquiadora Narihma, contratada por Bêah, passara a noite em claro, tentando esconder as poesias concretas em alemão dos corpos. -Está rindo de quê, Rodrigues? Ah, já sei, o Moreirão deve estar com alguma mulher também...! Não entendo, mas vocês não tomaram vinho! Que assanhamento é esse? Ui, ui... – O Conde contorceu-se de dores no pescoço, gemendo. Alex levantou-se e foi até a janela, verificar se estava tudo em paz lá fora. Distraiu-se olhando para Maína Clara e Francis, que passeavam juntas no jardim, conversando. “Mas que biluzinhos aquelas duas...”, pensou, sonhador, vendo-as rebolar. “Ah... Como poderia fazer para que uma delas, ao menos uma delas, desse bola para ele?”. O homem inflou o peito e respirou fundo. “Musculação!”, pensou, decidido e sorriu. “Começarei amanhã a fazer musculação”. -Conde? – interrompeu Alex, absorto. -Diga, Alex... – suspirou o Conde. -Ei. Temos algum sala de ginástica aqui no Castelo? Com equipamentos de fitness? – perguntou Alex, ainda olhando pela janela e sonhando com um belo corpo atlético e musculoso para si mesmo. -Mas o que é isso, Alex? Pirou? Fitness? – explodiu o Conde Ribolla – Será possível que nenhum de vocês dá a mínima para o seqüestro da minha Isaura? Ginástica? Ginástica é coisa de boiolas! Sentem-se todos e olhem para cá, como homens, ora! – berrou o homem, nervoso, começando a reunião sem Moreirão. O Conde explicou a todos o que acontecera. E contou qual fora o pedido dos seqüestradores para devolverem a Condessa. Virou-se para o Conde. -Lembra-se de alguém que o odeie? De alguém que queira se vingar de você, chère Conde? O Conde olhou assustado para o médico. Ele tinha muitos inimigos, óbvio. Mas quem o investigava tão de perto? A pessoa que seqüestrara Isaura era alguém que sabia do vinho, que sabia da fórmula secreta, que sabia da festa e que sabia que a festa seria para testar o vinho. -Mas só um maluco seria capaz de investigar tanto a sua vida, Conde! – falou Alex, apavorado. -Sim. Só um maluco... – disse o Conde Ribolla, pensativo – Só um grande maluco... Os quatro homens ali reunidos levantaram algumas hipóteses, todas absolutamente sem fundamento. Desconfiavam de Montagna e Gemada, que desde o dia chegaram no Castelo, só provocaram arruaças e badernas. Promoveram invasões na adega particular, dormiram em quartos errados, beijavam as mulheres que bem entendiam nos corredores, promoveram um concurso de “caça ao cabrito na lama” só com as mulheres e soltaram rojões nos banheiros, gargalhando dia e noite.l -Isso só pode ser coisa daqueles dois! – disse o Conde, fumando o seu cachimbo desesperadamente – Eles deram todo o meu estoque de cookies para as galinhas e frangos! -Não sei – falou Alex, tenso e nervoso – talvez a pessoa que seqüestrou a Condessa Isaura quisesse a mim! Será que não foi isso? Estou desconfiado que foi alguma mulher – disse o cineasta – E acho que sei quem... – Alex arregalou os olhos, assustado – Eu tenho muito, mas muito medo daquela peituda de batom vermelho! Rodrigues deu uma gargalhada enorme. -Hahahaha! Ritoca? A organizadora? A nossa querida Rita Lê Ball? -Shiu! – cochichou o cineasta, aflito – Mas fale baixo! -Mas... – Rodrigues olhou para Alex – Porque desconfia dela? Alex suava frio ao contar. Via-se que o homem estava apreensivo e prestes a ter um dos ataques de perseguição. -Bem, é que ela... bem... Rita Lê Ball.... ela... – ele suava frio, envergonhado, desesperado. -Ela o quê, homem? – perguntou Rodrigues, impaciente. Alex deu um esganido ao contar o que acontecera. -Ela me passou a mão! Os três homens começaram a rir baixinho. -Quá, quá, quá! – O Conde teve um acesso de riso súbito – Rita Lê Ball? -Um horror! – disse, Alex, aflito – Parem de rir! -Mas Alex... – Rodrigues segurava o riso – Explica melhor... Rita Lê Ball... passou a mão em você? Mas onde que ela passou a mão, homem? -No meu bum bum! – Alex tapou o rosto com as mãos – que horror! -Hahaha! Mas que maravilha, Alex! Que tesouro que é aquela boca carnuda e vermelha! Que delícia! Rita é uma italiana daquelas, saiba! Um estouro de mulher! E quando ela resolve que quer um homem, há, saia de baixo! – declarou Rodrigues, o entendido – ela não vai desistir nunca de você! Hahaha! Segure o seu traseiro e suas cuequinhas, homem! Quem mandou exibir tanto essa sua bundinha? Hahaha! Alex Fontes sentou-se numa poltrona, exausto e atrapalhado. O Conde pigarreou e serviu bebida para os amigos. Pediu que ficassem tranqüilos, pois, graças a Deus, ele tinha o seu grande amigo delegado Gnocchi Barbôa para ajudar naquela hora, -Iii... – disse Rodrigues, com uma cara preocupada – Fala do delegado Barbôa? -O que houve com ele? – perguntou o Conde – Não me diga que... Rodrigues explicou. O delegado bebeu vinho demais na noite da festa. “Vinho Ribolla 6996, obviamente...”, explicou o ator canastrão, fazendo trejeitos e floreios, como se estivesse dentro de um filme de suspense. “É irritante ver tão de perto a falta de talento desse ator”, pensou o cineasta Alex, fechando os olhos. JR Rodrigues continuou. Assim como os demais convidados, o delegado Barbôa se entendeu muito bem com algumas das “convidadas” do Conde e aproveitou muito bem a noite de sexo lascivo e animal depois do seqüestro. -Até aí, tudo bem, não é, colegas? – Rodrigues olhou para os colegas - Acho até que ele não teve problema algum de desvio, o delegado Barbôa... pelo menos não comentou nada comigo – completou Rodrigues. O ator continuou. Perto da hora do almoço, depois que ele e a detetive Matahari Neri já tinham tomado o seu primeiro drink e desceram para tomar um ar no Jardim dos Girassóis, encontraram o delegado de novo. O homem estava estranho. Parecia que tremia. Perguntaram a ele se ele estava bem, e ele disse que estava começando de novo a sentir as coisas. -Coisas? Que “catzo” de coisa que ele sentia, caro Rodrigues? – Perguntou o Conde Ribolla, preocupado. -As coisas do vinho “Ribolla 6996”, Conde! As... – Rodrigues fez um gesto obsceno com seus braços e quadris, sambando na sala – as coisas do vinho 6996! Oras! -Ichi... De novo? – perguntou o anfitrião – As... coisas do vinho voltaram para ele? Jura? -É... – Rodrigues fez uma cara de quem estava em apuros – E na luz do dia! Em plena luz do dia, no saguão do Castelo! Rodrigues disse que estava ao lado do delegado quando ele subitamente começou a ficar tarado de novo. Disse que o homem tremia, mordia os lábios e se sacudia todo. “Um verdadeiro escândalo, Conde”, explicou o ator, “Olha... ele perdeu a compostura de tal modo, mas de tal modo, que muita gente fechou os olhos... foi muito pior que o vexame do Alex dançando de cueca salmão sobre a mesa, sabia?”. O Conde respirou fundo, entristecido pelo amigo Barbôa. “E o que você fez?”, perguntou o Conde, chateado. -Eu? Hahaha! Está maluco, Conde? Nada, nem pensar. Imagina... Se eu chegasse perto dele naquele estado... era até perigoso para a minha reputação! Juro, Conde! Rodrigues disse que o homem ficou em tal estado de excitação que todo mundo saiu correndo de medo dele. Ele estava desesperado, queria pegar qualquer coisa que visse pela frente. “Qualquer coisa mesmo”, falou o ator, arregalando os olhos. -Olha, Conde, se não fosse a sua Carmutcha... – Rodrigues falou, pensativo – Puxa, mas que mulher essa sua Carmutcha, viu... -Carmutcha? – o Conde se assustou – o que ela fez? -Sim, precisa ver, Conde! A sua bela secretária italiana veio correndo e deu um pulo sobre ele, com toda a coragem do mundo... corajosamente, ela começou a rezar um monte de rezas, a falar umas fórmulas de química, falar de política internacional e a dar aulas de legislação urbana... aquilo foi acabando com o tesão do cara... ufa! – Rodrigues tomou fôlego e continuou contando – Bem, quando ela viu que ele estava um pouco melhor, pegou Barbôa no colo e levou o homem lá embaixo, para uma das masmorras... E trum! -Trum? – todos os amigos olhavm fixamente para ele – “Trum” o quê? O que é “trum”?– perguntou o Conde, assustado. Rodrigues riu. -Trum, ela trancou porta, ué! -Ah... e ele se acalmou? – perguntou o dono do Castelo. -Que nada! Está lá, urrando feito um doido! – respondeu o amigo ator. Charles esfregou a mão na boca, pensativo. Olhou para Rodrigues e falou, muito sério. -Viu se ele tinha pontos pelo corpo, Rodrigues? -Pontos? - Rodrigues franziu os olhos. -Sim, pequenos pontos o longo do corpo... pontos verticais... como... pintas. Tinha? -Sim, eu me lembro! Tinha! Pontos pelo corpo! Muitos, estava todo pintado quando começou a ficar... ficar... daquele jeito! Charles declarou, categórico. -C´ést alergia ao 6996. Ou melhor... alergia à esperma de cabrito! Isso é terrível! -Nossa! – os três exclamaram, em uníssono – E agora, doutor? E agora? -É muito triste... – disse Charles, consternado – Tsc. mas talvez nosso delegado nunca mais volte a ser o mesmo... Puxa, mas... quando é assim, os danos muitas vezes são crônicos... O Conde deu uma longa baforada no seu cachimbo, conformado. -É... era um grande amigo, esse Barbôa... foi um bom amigo... – olhou para Charles e mudou de tom, passando a falar cruelmente – E mande reforçar a segurança da masmorra. Esse homem jamais pode sair de lá, entenderam? Jamais! Não enquanto eu for vivo! O Conde, secamente, deu mais uma baforada e falou, pensativo. -É... Teremos que arrumar outro delegado para assumir as investigações do seqüestro da Condessa... “Nossa... Esse é o verdadeiro Conde Ribolla?”, pensou Alex, engolindo em seco. “Que homem que trancaria um amigo doente numa masmorra?”. O cineasta não falou palavra alguma, mas naquele exato momento repensou (em estilo “flash back”) toda a sua vida e sua amizade com aquele sórdido homem. “Será que eu, Alex, um dia, me transformarei num monstro como aquele? Não! O Conde não era um homem: era uma anomalia! Não, não, não...!” Ao mesmo tempo em que os homens se reuniam com o Conde, as três moças montaram uma sala de reunião informal num dos cantos da cozinha. Franka, Bê e Carmutcha resolveram não perder um só minuto. Tomaram todas as providências para o funcionamento do Castelo e Franka anunciou que começariam as buscas. -Nós vamos investigar o seqüestro da Condessa? – perguntou Carmutcha, confusa. -Sim – disse Bê – Mas ninguém deve saber disso. A secretária ficou boquiaberta. -Não convém falar isso para ninguém, Carmutcha – disse a cozinheira - Você nos ajudará? -Claro – respondeu a moça secretária – Gosto muito da Condessa... E com o delegado Barbôa tarado e preso na masmorra... – a secretária suspirou, se lembrando da cena do pobre homem tendo o ataque horas atrás e continuou - ... e com aquela assanhada da detetive Matahari se derretendo pelo “detetive Rangel” dia e noite, não tem ninguém para salvar a Condessa Isaura da mão dos bandidos! Fico feliz em ajudar! Franka então decidiu: ela iria a San Geminiano, Bê conversaria com Maina Clara e Francis, e Carmutcha deveria ir à torre sul, nos aposentos da Condessa, verificar se achava alguma prova ali. Elas se encontrariam às cinco horas, no mesmo lugar: a mesa da cozinha. E entregou um telefone para cada uma delas. Frankamente, agora que as coisas vão começar, pensou, satisfeita. Uma freira entra na história Onde está Isaura? |
|
|||||||||||