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Home do Gallacci FAU USP turma de 1980 Literatura  As previsões de Mônica, a vidente
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As previsões de Mônica, a vidente

-E ai, Gemada, tudo beleza? – exclamou Montagna, ao chegar perto do amigo.
-Falai, Montagna! Ouvi rojões vindo do morro de San Geminiano. Pelo tamanho do bruto, deve ter chegado coisa boa! Hahaha! – exclamou Gemada, esfregando as mãos.
A notícia da erupção do vulcão chegou como uma bomba no Castelo do Conde Ribolla. Tanto os convidados como os moradores, traumatizados com a violência do seqüestro da Condessa, ficaram em pânico com a notícia. Uma outra tragédia, e bem no dia seguinte era demais.
A bela Bê La Bressiani passou a telefonar de hora em hora para o celular da amiga, mas em vão. O telefone tocava, mas ninguém atendia. Depois de muitas tentativas o aparelho parou de tocar, provavelmente porque acabou a bateria. Bê pensou o pior. Porque a amiga Franka não atendera o telefone quando ainda tinha bateria? Teria ela sobrevivido à erupção? O que acontecia? Estaria machucada, ferida, escondida?
-Carmutcha, o que fazemos? – perguntou Bê para a secretária assistente.
-Talvez o Conde possa mandar um helicóptero para lá! Vou falar com ele agora! – respondeu a secretária, saindo da cozinha.
Carmutcha correu para os aposentos do patrão. Ficou na dúvida se contava ou não sobre Alex Fontes.
-Conde, posso entrar?
O homem estava no escritório, sentado na frente do computador. Via-se que ele já tinha tomado muito vinho pelo tom de voz e pelas garrafas espalhadas pelo local.
-Carmutcha, Carmutcha... Venha aqui no meu colo. Quem sabe teus carinhos me confortam um pouco – pediu o homem, cansado.
-Conde, temos outro problema... – a moça falou, cautelosa.
O homem arregalou os olhos.
-Como assim? – levantou-se subitamente da mesa e largou o mouse – Outro problema? Aconteceu alguma coisa com Isaura? Não me assuste, Camutcha!
-O vulcão Benévolo está novamente em atividade!
O Conde recostou-se na cadeira e sorriu para ela, respirando aliviado.
-Ah, é isso? Que susto... – o Conde olhou para a secretária e explicou calmamente a ela – Mas estamos longe de San Geminiano, Carmutcha. Nada acontecerá por aqui. Avise a todos que não há perigo algum – e ele virou-se novamente para o micro.
-Não, Conde é que... – a moça não sabia por onde começar.
-O que? Alguma coisa que eu não sei? – perguntou o homem, despreocupado.
Nesse instante Carmutcha percebeu que o Conde não sabia do sumiço de Alex. Era verdade o que dissera para Franka, o homem fora escondido mesmo. Pela atitude do Conde, Carmutcha compreendeu que ele fora no carro com Franka por vontade própria e não mando do Conde. Suspirou aliviada, pelo menos a sua amiga não corria tanto perigo assim.
-Sim, Conde... tem coisas que você não sabe – falou Carmutcha, cansada – Infelizmente.
-Mande – falou o homem, despencando na cadeira – fale de uma vez, vamos!
A secretária respirou fundo e desabafou de uma vez.
-Franka e Alex Fontes estão em San Geminiano.
-O quê? Franka e Alex? Mas... mas... não entendo... o que esses dois fazem lá? Não é proibido sair daqui do castelo? A policia Italiana não falou que...
-Eles saíram antes, Conde. – respondeu a secretária.
-Mas porquê? Alex e Franka? – o Conde estava confuso.
Carmutcha, explicou pacientemente.
-Conde, Franka teve que ir as pressas. Segundo ela, tinha negócios por lá – diante da cara desconfiada do Conde, a moça explicou melhor – Acho que eram assuntos ligados à Construtora Vergalhão, Conde. Ela não pára de trabalhar, essa sua amiga.
-Ah, sim! – disse o anfitrião, lembrando-se do encontro na entrada do palácio no dia anterior, quando Franka chegou com o furgão – Franka estava mesmo resolvendo problemas com fornecedores de material de construção por lá... sim... ela me disse...– confirmou o homem e virou para Carmutcha – Mas o que Alex Fontes foi fazer em San Geminiano com Franka? Ele não me disse nada!
Carmutcha deu de ombros. Se nem Franka nem Bê sabiam, ela ia saber? “Conde, não sei mesmo!”, exclamou a moça “Até Bê, a melhor amiga de Franka, se surpreendeu com isso”.
O Conde deu uma baforada no cachimbo e pensou. Alex e Franka nunca foram amigos, nem próximos. O homem era um dos melhores amigos do Conde, mas não contava suas aventuras amorosas para ninguém. Era um homem arrogante, vestia uma carapuça intelectual, que conversava somente com seus amigos. Pode ser que fosse tímido e recatado, mas não era essa imagem que ficava.
-Vamos, responda, Carmutcha! O que Alex Fontes faz com Franka?
-Não tenho a menor idéia, Conde. Franka não é amiga de Alex. E... – a secretária parou de falar subitamente.
-E... e o que? Desembucha, mulher! – falou o Conde.
-Bem, não sei se devo falar, mas... – a secretária hesitava.
-Como assim? Tem alguma coisa que eu não sei? – o homem fez uma cara sacana para a moça – Ah, já sei...! Eles estão... nhaca- nhaca...? – o Conde fez um gesto obsceno para a secretária assistente.
-Não, não que eu saiba! – a moça respondeu, séria.
-Então o que é?
Ela não ia falar, mas acabou desabafando.
-O que eu sei é que ele foi escondido no carro, Conde. Franka resolveu sair e ir para San Geminiano. Pegou um dos seus carros e foi. No meio do caminho, descobriu que Alex tinha ido com ela. Escondido no banco e trás do carro. – explicou Carmutcha.
-Escondido? – estranhou o Conde.
-Sim, foi Bê que me contou! Franka ligou para ela quando chegou lá. Antes, claro, da erupção! – Contou a secretária.
O homem se levantou e andava de cá para lá.
-Chame Bê aqui, agora. E suma daqui, Carmutcha! – ordenou o homem, nervoso.
-Sim, Conde. – respondeu Carmutcha, saindo do quarto.
Ela saiu dali atrás de Bê. A cada dia Carmutcha tinha mais raiva da prepotência e arrogância do Conde Ribolla. “Que homem insuportável! O que a gente não faz por dinheiro e por um bom trabalho!”, pensou a moça, andando e bufando pelos corredores.
Entrou na cozinha, mas deu de cara com uma cena horrorosa.
-Aaa! – berrou a secretária, assustada.
-Carmutcha, calma! – gritou Bê La Bressiani, sorrindo – Calma, eu já explico!
Era sangue para toda parte. Carmutcha nunca viu nada igual a aquilo. A mesa central da cozinha estava empapada de sangue, e as roupas de Bê e de todos os cozinheiros ali também. Pareceu à Carmutcha que eles todos estavam operando alguém, provavelmente um ser humano, pela quantidade de sangue. Ou teriam eles todos matado alguém? Carmutcha olhou para a parede de azulejos com vontade de vomitar.
-Bê, o que é isso? Que horror! – exclamou, enojada.
-É apenas um cabrito, Carmutcha, calma! – respondeu Bê.
-Mas esse sangue todo! Que é isso?
Uma das pessoas que estava ao redor da mesa veio até ela. A moça tirou a touca e Carmutcha a reconheceu. Era Mônica, a vidente.
-Mônica?
-Sim, Carmutcha – a vidente sorriu para ela, mas estava toda suja.
Bê se adiantou para explicar. Carmutcha estava branca e pálida, mas olhou novamente para o local da chacina e reconheceu diversos convidados do Conde. Não eram cozinheiros que estavam ali.
-Carmutcha, Mônica está fazendo previsões. Só isso. Estamos tentando descobrir onde está a Condessa Isaura. – falou Bê, calmamente.
-Mas... e esse cabrito despedaçado em cima da mesa? Desculpem, mas não estou entendendo nada. O que vocês estão fazendo? É algum tipo de bruxaria ou uma nova receita? Um ritual satânico? Oé macumba? – a secretária assistente falava e dava passos para trás, recuando.
Bê e Mônica olharam para mesa e caíram na gargalhada. Realmente a coisa estava nojenta. Em volta da mesa, além das duas, estavam diversos amigos do Conde: Gui Whitaker, Dobem, Gemada e Montagna e Bêah, que deu um tchauzinho para a amiga.
-Carmutcha, já ouviu falar que é possível prever o futuro nas vísceras de um cabrito? – perguntou Mônica, olhando fundo nos olhos dela.
-Não, e que nojo! – respondeu a secretária.
-Mas é possível sim. E venha aqui ver, pois é isso que eu estou fazendo – disse Mônica, mostrando a mesa.
A secretária assistente deu um pulo e saiu correndo para dentro da despensa. Era melhor não olhar, ela tinha horror a sangue.
-Não! Eu fico aqui. Diga... – gritou Carmutcha de longe – ... mas o que vocês descobriram?
-Eu vejo... – disse Mônica – Vejo um casal na cama... vejo uma volta ao passado...vejo uma moça chorando... e vejo uma torre muito alta.
-Hahaha! – Riu Bê – Isso é o que faltava, Mônica! Torre tem em todos os lugares aqui nessa região!
-- E vejo um... um... caramba, não é possível! – exclamou Mônica.
-O que foi? – perguntou Carmutcha.
-Estou vendo um computador aqui dentro? –falou a vidente, sorrindo – Juro!
-Dentro das vísceras? Que maluquice! – falou Bê.
Carmutcha saiu da despensa com a mão no rosto.
-Não posso olhar... me perdoem... Bê, pode falar um minuto comigo ali fora?
As duas saíram da cozinha. Bê parou na frente da secretária assistente.
-O Conde precisa falar com você. Está nos aposentos dele agora, te aguardando.
-Vou lá, então – falou Bê, tirando o avental na mesma hora – Você avisa a todos ai dentro que eu tive que sair?
Carmutcha entrou novamente na cozinha, mas o cheio de carne fresca fez a moça rodar de tontura. Estava extremamente enjoada, e não conseguiu dar o recado de Bê aos colegas que a aguardavam para o exame de vísceras. Olhou para as pessoas, começou a falar e desfaleceu. Quando acordou, estava nos grandes braços de Montagna.
-Signora Carmutcha – dizia o homem, passando um pano úmido nos seus cabelos – Está melhor?
-Nossa! Desmaiei?
-Sim. Sente –se bem?
Carmutcha sentiu-se estranha no colo daquele desconhecido. Deu um pulo e saiu dali, desculpando-se. Mas, ao ir embora da cozinha, não resistiu e olhou para trás rapidamente. Viu que Montagna também a olhava. E sorria.
Ora, ora!
Bê bateu na porta do quarto do Conde Ribolla. Como ninguém respondeu, a moça tentou a maçaneta e entrou.
-Olá. Olááá. Conde?
Ninguém respondeu. Bê ficou confusa, mas respirou aliviada quando viu que o Conde estava no banho. Sentou-se no sofá de veludo azul e esperou.
O Conde Ribolla saiu assoviando do chuveiro, enrolado apenas numa toalha. Pingava quando entrou no quarto e deu de cara com a bela Bê La Bressiani.
-Bê! Caríssima! – exclamou o homem.
-Oi Conde. Atrapalho? – respondeu a moça, tímida.
-Não, de modo algum! Uma visita sua é sempre maravilhosa! Estou encantado ao vê-la! – sorriu o Conde.
-Ah, estou suja, estava na cozinha... – parou e perguntou a ele – Você pediu a Carmutcha que me chamasse?
-Sim, sim! – o homem se desdobrava para agradá-la – ... mas espere, que vou colocar uma roupa mais adequada – disse o homem, feliz por poder exibir o seu porte atlético para a moça.
O Conde saiu da saleta e voltou com seu robe de chambre predileto, azul turquesa. Sabia que ficava irresistível naquela vestimenta. Provavelmente estava nu sob a roupa, e apareceu com o peito ainda descoberto, onde Bê podia ver seus pêlos e seu bronzeado.
-Bê, minha querida...
O homem sabia que a moça se derretia por ele. Foi até a mesa lateral que funcionava como um bar e abriu uma garrafa de vinho. Voltou com dois copos.
-Carmutcha me disse que Franka está em San Geminiano. E me disse que Alex Fontes está com ela. Isso é verdade?
Bê contou ao Conde tudo o que sabia (e que poderia ser contado). O homem ficou bastante preocupado, e explicou a ela que o vulcão ao lado da cidade de San Geminiano era realmente perigoso. Não havia como resgatá-los de lá, principalmente nos primeiros dias, de intensa atividade da montanha.
-Sabe porque Alex foi com ela? – perguntou o Conde, sentado-se ao lado dela no sofá.
-Não, Conde... Mas Franka disse que ele a seguiu. – respondeu Bê, atrapalhada com aquela proximidade.
-Ah, esse Alex! Hahaha! Minha cara, esses meus amigos não são mesmo flor que se cheire! – disse o homem, se gabando de uma possível conquista de Alex Fontes – Eu sempre achei que ele tivesse mesmo uma queda por ela!
-Queda por ela? Como assim? – Bê olhou assustada para o Conde.
-Ora, ora, Bê, não se faça de desentendida! Está na cara que os dois deram uma fugidinha juntos! – o Conde argumentou.
-Conde, Franka é casada! – a cozinheira indignou-se, brava. – Não pode falar assim dela!
-Hahahaha! E eu também, cara Bê La Bressiani! E mesmo assim... – o homem olhou fundo nos olhos dela e passou a sua mão sensualmente nos seus próprios pelos do peito – Mesmo assim, nós dois...
-Conde, pare! Não quero falar nisso! – gritou Bê.
-Mas Bê! Nós dois já tivemos uma grande noite de amor! Foi ou não foi? Aqui mesmo, nesse castelo! E você... era ou não era casada? Hein? Fale a verdade! – gritou o homem – Agora quer dar uma de santa? Hahaha! Essa é boa! Que atire a primeira pedra aquele que... – o Conde foi interrompido pela moça.
-Eu não gosto, não quero me lembrar! – Bê tapou os ouvidos – eu errei!
-Porque ele nos pegou no flagra não foi? – falou o homem, segurando firme nos dois braços de Bê e a obrigando a olhar nos seus olhos – Foi ou não foi porque Bob nos pegou no flagra?
Bê La Bressiani tapou os olhos, apavorada com a lembrança do passado. Sim, ele, o seu marido Bob Delboux, a surpreendera na cama com o Conde, a exatos dez anos atrás. Por causa disso, teve um choque traumático tão grande, mas tão grande que desaparecera do castelo, da Itália e da vida dela para sempre. Foi por isso que Bê nunca mais o vira. Como o homem deixou um bilhete para o Conde dizendo que se mataria no Rio Faus, as buscas foram encerradas no período de chuvas, depois de mais ou menos um mês. E Bê nunca contou essa triste e vexaminosa história para ninguém, apagando o passado.
-Não me lembre, Conde, por favor! – implorou Bê.
-Porque você não quis ficar comigo naquela época, Bê? Eu sei que o que houve foi uma tragédia, mas eu queria, eu desejava você!
-Não – Bê tapou novamente os ouvidos – Não, eu não podia!
-Porque eu era seu cunhado? É isso? – o Conde puxava o rosto de Bê para perto do seu – Era por causa disso? Mas Bob era somente meu meio irmão, vivemos a vida toda separados, Bê!
-Não, não estava errado! Eu não podia! Bob me amava, confiava em mim! – desesperava-se a moça.
O Conde largou a moça e sorriu, cínico. Nunca deu bola para os medos e pânicos de Bê, e nem mesmo para a raiva que Bob sempre teve dele, desde menino. E daí que Bob era seu meio irmão, e daí que ele a cunhada se apaixonaram? Que podia fazer se Bê queria, desejava e e gostava dele como um homem? “Bah, Bob era um bobo”, pensou o Conde. Aliás, Bob sempre fora desprezível, pensou o homem, cuspindo no chão e acendendo o seu cachimbo.
Lembrou-se daquela noite. Ele e Bob eram irmãos por parte de mãe, mas sempre viveram separados. Nas poucas vezes que se encontravam, brigavam. Um dia, os dois, já casados, se reencontraram na cidade de Montalcino. O Conde convidou o meio irmão para ir até o Castelo, para um jantar. Apesar das tentativas de reaproximação do Conde, o clima estava tenso, pois Bob insistia em levantar e reviver todas as mágoas e feridas da vida passada.
Todos beberam muito, principalmente Bê La Bressiani, que tinha o cerebelo muito sensível a vinho tinto. Numa certa altura da noite, Bob e Isaura foram à biblioteca, e Bê e o Conde ficaram a sós na sala de jantar.
Foi quando tudo começou. Os olhares, as meias palavras, o beijo, o desejo.
A idéia de colocarem calmante no vinho de Bob e de dormirem juntos veio do Conde. Bê não resistiu, principalmente quando viu que Isaura já tinha se recolhido aos seus aposentos. Era uma loucura, ela sabia, mas o Conde, seus modos formais, aquele castelo e aquela cantada foram irresistíveis para ela. Assim foi, Bê cedeu ao charme do Conde e se entregou a ele, depois que o marido dormiu no sofá. Não se sabe porquê Bob acordou no meio da madrugada, provavelmente a dosa fora pequena demais. E também não se sabe como ele chegou até o quarto onde ela e o Conde estavam se entregando a uma noite fantástica de sexo. Mas Bê soube que ele abriu a porta e que viu os dois: seu irmão e sua esposa, nus na cama de casal.
Bê nunca mais quis falar com o Conde depois do ocorrido. Julgava-se culpada pela morte de Bob. Já o Conde não ligou muito. O homem era muito egoísta e interesseiro para se preocupar com as emoções alheias.
O Conde bebeu todo o copo de vinho que tinha nas mãos.
-Voltemos à nossa Franka, Bê. Passado é passado. Chega.
Bê falou secamente. Estava brava, nervosa e confusa.
-Franka não tem nada com Alex.
-Jura? – perguntou o homem.
-Sim – respondeu Bê.
-E porque ele foi junto com ela? – indagou o Conde.
-Não sei, não sei! – Bê começou a chorar –Pare de me pressionar, por favor, Conde!
O Conde abraçou a moça, que chorava copiosamente. Bê derreteu-se nos seus braços. Sim, ela traíra o marido há dez anos atrás, ela até achava que fora ela que matara o marido, mas o que podia fazer? Amava aquele homem, amava aquele cafajeste, amava aquele homem mau e sórdido, amava aquele cretino, idiota e maravilhoso do Conde Ribolla como nunca amou nenhum homem na sua vida. Era amor, era puro amor que ela sentia por ele. E esse amor se transformava em desejo a cada vez que ela sentia sua presença, seu cheiro, seu toque. Eram todos esses os pensamentos que percorriam a cabeça de Bê enquanto ela se agarrava ao Conde, arrancava dele o roupão, enfiava seu rosto no seu peito cabeludo e se entregava ele com toda a paixão e volúpia que ela tinha guardado há mais de dez anos.
O Conde olhou para o rosto cândido de Bê La Bressiani e se embeveceu de prazer. Sim, ele também amava aquela bela mulher. Naquele exato instante, o Conde Ribolla deixou de ser um homem mau, crápula e mascarado de sempre, para mostrar pela primeira vez sua fragilidade junto a alguém.
O homem, que estava em estado de total depressão pós traumática depois do fracasso da festa e do seqüestro da sua Condessa, percebeu que também precisava daquela moça sensual e encantadora ao seu lado, e se jogou de cabeça numa grande noitada de sexo criativo e apaixonado. Precisava esquecer aquele mundo sórdido que o rondava, precisava de forças para continuar lutando contra todos que o invejavam e que tentavam lhe fazer mal.
Assim como Bê precisava dele, ele precisava de Bê.

A vida sofrida de Bob Delboux
Onde está Isaura?